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records>
antologia de música electrónica
portuguesa
> textos
sobre autores e
obras
NUNO
CANAVARRO (1962)
Alsee, 1988
Sampler Ensoniq Mirage, sintetizador Yamaha FB-01.
Estúdio do autor, Cascais
Plux Quba, LP Ama Romanta, 1988; re CD Moikai, 1998
Iniciando o seu percurso como membro de bandas pop no início dos
anos 80, Canavarro fez estudos de electroacústica nos Estados Unidos
e na Holanda, de 1983 a 1985 e em 1987 obteve o primeiro prémio
da Mostra Portuguesa de Artes e Ideias. Após a edição
de Plux Quba em 1988, iniciou trabalho na área da música
para cinema. Plux Quba foi gravado com meios escassos, entre
os quais "um Ensoniq Mirage (um sampler de oito bits, dos primeiros
que houve) e um gravador de oito pistas, um Fostex. Hoje, quase nem acredito
como é que consegui fazer o disco. Chegava a utilizar os próprios
defeitos, a nível de software, do sampler. Era um aparelho muito
instável, havia situações em que, obrigando-o a trabalhar
muito, respondia de uma maneira um bocado imprevisível. Era excelente
para o género de música que eu queria fazer. As faixas plb,
xqa e xlb foram gravadas nas mesmas sessões.
O Rafael Toral descobriu-as algures na mesma fita magnética do
Plux Quba e achou interessante enquadrá-las nesta antologia.
Não ouvia alguns destes sons há dez ou doze anos. Por uns
instantes - pelo menos os da audição - eles trouxeram-me
de volta o mapa electroacústico de Plux Quba."
CÂNDIDO
LIMA (1939)
Oceanos, 1978
Dois sintetizadores VCS3, computador com apoio do sistema U.P.I.C.
Estúdios CEMAMU e SEV, Paris e RDP, Porto*
Autómatos de areia/ Lendas de Neptuno/ Oceanos, CD Strauss,
1992
Pioneiro em Portugal da música por computador, estudou composição
nos conservatórios de Lisboa e Porto, e depois com Stockhausen,
Ligeti, Pousseur e Boulez, entre outros. Doutorou-se em Estética,
em Paris, numa tese orientada por Xenakis, seguiu cursos de informática
musical nas Universidades de Vincennes e Paris e estágios no CEMAMU
e IRCAM. Professor de composição na Escola Superior de Música
do Porto desde 1986, é director do Grupo Música Nova, do
qual foi fundador em 1975. "Estas obras constituem uma fase de preocupação
estética e de encontro com novos espaços acústicos
e musicais. Aqui a música é intrepretada como energia, como
velocidade, como movimento puro, enquanto seres "em si". Descobrir
as fronteiras entre a liberdade e a submissão aos modelos e aos
sistemas - gramaticais e tecnológico - onde está a subversão
do determinismo e da racionalidade, eis um desafio ao ouvinte, ao analista
e ao próprio compositor." "Segundo a mitologia, Oceano
era o primeiro deus das águas. Os antigos pensaram que o Oceano
era um rio que envolvia a Terra. A obra é tudo o que pode apresentar
analogia com a mitologia, com os oceanos reais ou imaginários,
com as realidades do nosso planeta ou interestelares."

NUNO REBELO (1960)
New Amp, 1984
Microfone, amplificador de guitarra.
Estúdio do autor, Cascais
Inédita
Multi-instrumentista formado em arquitectura, iniciou em meados dos anos
80 um percurso de pesquisa e experimentalismo, descobrindo técnicas
instrumentais e de composição. Desenvolveu actividade como
improvisador, colaborando com inúmeros músicos e fundou
projectos como Mler Ife Dada, Plopoplot Pot e Poliploc Orchestra. Compôs
o hino da Expo '98. O seu trabalho desdobra-se por diversas áreas
como o cinema, teatro e dança, esta última em múltiplas
colaborações internacionais. "Amplificador (de guitarra)
novo - ou melhor, em segunda mão - e nada para o experimentar senão
um velho microfone que o meu pai utilizava para as suas gravações
amadoras. Foi este o acaso que me fez descobrir as potencialidades musicais
do feedback. Desde logo essa primeira descoberta ficou registada (em três
pistas, num Fostex x-15) marcando aquele que foi um dos primeiros momentos
em que me distanciei claramente do universo pop. É um excerto dessa
composição/ improvisação, cuja duração
total terá à volta de 10 minutos, que aqui se pode escutar."
ISABEL SOVERAL (1961)
Anamorphoses I, 1994
Sintetizador modular Buchla.
State University of New York, Stony Brook, New York
Inédita
Estudou no Conservatório Nacional com os compositores Jorge Peixinho
e Joly Braga Santos e, em 1988, segue os seus estudos na Universidade
Estadual de Nova Iorque em Stony Brook, onde estuda música electrónica
com Bulent Arel e Daria Semegen. Presentemente, dedica-se ao ensino de
composição e análise musical na Universidade de Aveiro.
"Anamorphoses I é uma peça do ciclo Morfoses,
formado por um vasto grupo para instrumental e fita magnética.
As diferentes composições que fazem parte deste ciclo, ainda
que se diferenciem em forma, têm um mesmo critério de elaboração
do material sonoro básico a usar na fita magnética: aos
vários sons criados são aplicados diversos critérios
de transformação, levando-os a adquirir novas qualidades
tímbricas. Perdendo assim a sua identidade inicial, estes dão
origem a vários estados de metamorfose sonora no decorrer da obra,
tomando a forma de novos instrumentos imaginários. No caso particular
de Anamorphoses I, devido ao papel orquestral da fita magnética
e à forma como se desenrola a relação clarinete-fita,
a obra toma quase a dimensão de um Concerto para clarinete e fita
magnética."
FILIPE PIRES (1934)
Homo Sapiens, 1972
Fita magnética.
Estúdios GRM*, Paris
Canto Ecuménico/ Litania/ Homo Sapiens, LP Imavox, 1980,
re CD Strauss, 1997
Iniciou a sua carreira como pianista, estudando piano em Lisboa, Hanôver
e Salzburgo. Um interesse crescente pelas correntes estéticas de
vanguarda leva-o, de 1970 a 1972, a frequentar um estágio de música
electroacústica dirigido por Pierre Schaeffer. Especialista de
música do secretariado internacional da UNESCO entre 1975 e 1979,
Filipe Pires dedica-se também ao ensino de composição,
análise e música electroacústica. Tendo partido de
fortes raízes de cariz neoclássico, a linguagem da música
de Filipe Pires orientou-se sucessivamente no sentido do atonalismo, de
formas aleatórias e das técnicas electroacústicas,
tendo sido um pioneiro destas últimas em Portugal. "A voz
humana, símbolo telúrico da Criação, constitui
o cerne desta obra, enquadrando-se foneticamente num contexto que evolui
no sentido do movimento, do elaborado, da fusão de diversos elementos
sonoros. Homo Sapiens é uma revisão da primeira
parte do bailado Nam Ban, composto em 1970 por encomenda do Secretariado
Português da Exposição de Osaka. A presente versão
foi realizada nos estúdios do Groupe de Recherches Musicales em
Paris."

TELECTU (1982)
Performance #, 1984
Fita magnética, sintetizador, guitarra electrónica.
Bienal de Vila Nova de Cerveira, 1984
Performance, LP Dargil, 1984; re CD Strauss, 1995
Duo formado por Jorge Lima Barreto e Vítor Rua em 1982, rapidamente
enveredando pela electroacústica, jazz-off e minimalismo. Considerando
diversas tendências da música pós-moderna, tem convidado
alguns dos principais músicos da cena internacional da nova improvisação,
apresentando-se em Moscovo, Nova Iorque, Havana, Pequim e Paris, entre
outras cidades. Para além da extensa discografia do duo, encontram-se
igualmente composições para teatro, cinema, poesia e vídeo.
"Realizada para a Bienal de Cerveira de 1984, Performance #
consistiu numa instalação realizada num grande armazém,
onde foram dispostas num largo círculo várias latas de tinta,
sintetizadores, mesas de mistura e dois gravadores Revox que reproduziam
um longo "loop" de fita magnética que circulava pelo
espaço. À noite, havia três ou quatro projectores
no chão a lançarem feixes de luz branca diáfana.
Todo o som era transmitido por dois altifalantes colocados nos extremos
do círculo com o volume muito baixo, quase subliminal, e um microfone
aberto podia vagamente captar vozes do público. Performance
# realizava a criação experimental duma obra aberta
de música minimal repetitiva."
JORGE PEIXINHO (1940-1995)
Elegia a Amílcar Cabral, 1973
Doze osciladores sinusoidais.
Estúdios IPEM*, Gent
Elegia a Amílcar Cabral, LP Lamiré, 1978; re CD
Strauss, 1997
Estudou
composição e piano em Lisboa e Roma. Trabalhou com Luigi
Nono e com Pierre Boulez, e participou nos concertos experimentais promovidos
por Karlheinz Stockhausen em Darmstadt Ensemble e Musik für
ein Haus. Em 1972/73 realizou um estágio de música
electrónica no IPEM belga. Desenvolvendo ampla actividade como
compositor, pianista, professor, foi director do Grupo de Música
Contemporânea de Lisboa, que fundara em 1970. "No dia 20 de
Janeiro de 1973, encontrando-me na Bélgica, fui surpreendido com
a notícia do assassinato de Amílcar Cabral, o que provocou
em mim uma emoção profunda. Decidi nesse mesmo dia compor
uma peça de homenagem ao grande líder político africano.
Uma obra electrónica pura, caracterizadamente elegíaca,
estática e meditativa. É composta unicamente na base de
doze sons sinusoidais, os quais permanecem imutáveis ao longo de
toda a peça e compreende 9 secções justapostas sem
soluções de continuidade. O final da obra, insistindo numa
frequência aguda que, a dada altura, é cortada bruscamente,
poderia sugerir a morte repentina e imprevisível de Amílcar
Cabral, bem como a perenidade da sua mensagem política."
RAFAEL TORAL (1967)
Mills Session (introdução), 1997
Sistema modular Moog III-P.
Center for Contemporary Music, Mills College, Oakland, California
Inédita
Explorando relações entre fenómenos sonoros como
a ressonância ou as frequências diferenciais e a capacidade
humana da escuta criativa, Toral desenvolveu um universo sonoro integrando
música ambiental, rock, improvisação e "sound
design" em múltiplas práticas experimentais. Usando
desde 1984 a guitarra eléctrica como parte de um instrumento electrónico
complexo, Toral colaborou com Jim O'Rourke, John Zorn, Sonic Youth, Rhys
Chatham e Phill Niblock, e já tocou em vários países
europeus, EUA, Canadá e Japão. A sua música é
publicada por editoras de seis países e é membro da orquestra
electrónica MIMEO, com Keith Rowe e Christian Fennesz. Acredita
que o ruído não existe. "Mills Session foi
uma longa improvisação gravada no Mills College, durante
a digressão americana de 1997. O acesso ao sistema modular Moog
daquele estúdio marcou o início do meu envolvimento com
sistemas modulares analógicos, que se tornaram indispensáveis
para o meu trabalho dos cinco anos seguintes, com destaque para Violence
of Discovery and Calm of Acceptance."

JOÃO PEDRO OLIVEIRA (1959)
Silence to Light, 1992
Computador
Estúdio do compositor
Electronic and Computer Music, CD Numérica, 1993
Iniciou os seus estudos de música como aluno do Centro de Estudos
Gregorianos. A partir de 1978 dedica-se à composição;
frequenta Seminários de Composição orientados por
Emmanuel Nunes e, de 1985 a 1990, estuda teoria e composição
no Brooklyn College e na Stony Brook University de Nova Iorque. Para além
da sua actividade internacional como organista, no âmbito da qual
tem apresentado várias peças em recitais como solista e
em colaboração com outros instrumentistas, tem desenvolvido
também o ensino de composição e de música
electrónica na Universidade de Aveiro. "Silence To Light
foi encomendada pelo Watari Museum of Contemporary Art, para fazer parte
de uma exposição em que se integram pintura, escultura e
música. Esta obra pretende criar uma atmosfera etérea, na
qual pequenos fragmentos sonoros flutuam sobre um pano de fundo musical
que muito lentamente se vai alterando. Há surpresas, e momentos
de tensão, mas estes nunca chegam a atingir um clímax que
permitem a coloração do silêncio que a peça
sugere."
ANAR BAND (1972-1982)
Plasticman, 1977
Sintetizador ARP Odissey, baixo eléctrico
Estúdios da Rádio Triunfo, Lisboa
Anar Band, Alvorada, LP 1977; re CD Movieplay, 1997
Anar Band foi um projecto de Jorge Lima Barreto (1949), que desde os anos
sessenta realizou uma série de intervenções nas áreas
da música experimental e do Jazz, video-art e performance; Licenciado
em História da Arte e doutorado em Musicologia e Teoria da Comunicação
Social, é autor de vários livros e de programas de rádio.
"A Anar Band era um grupo laboratorial para improvisações,
na estética do free-jazz, da electrónica e da electroacústica.
Gravado e produzido em 1976, Anar Band foi, num perfil electroacústico,
o primeiro registo de música improvisada em Portugal, claramente
assumida como tal. O tema Plasticman pretendia-se como música
mimética de Jazz-off, numa dialéctica da estética
de vanguarda. No sintetizador ARP Odissey, Barreto improvisou um solo
atonalístico, hiper-expressivo, inspirado pelo discurso free-jazz.
Reininho delineou algumas frases rítmicas simulando um baixo swingante
em guitarra eléctrica Ibanez de dois braços; em re-recording,
introduziu-se um painel textural a que se deu o nome de Sintonic Orchestra,
de influência concretista."
RENÉ
BERTHOLO (1935)
África aqui, 1996
Makina (Sintetizador/sequenciador digital programável construído
pelo autor)
Estúdio do autor, Algarve
Um Argentino no Deserto, CD Sirr.ecords, 2001
Depois dos estudos de pintura e belas artes, em Lisboa, parte para Paris,
onde funda com Lourdes Castro e José Escada, entre outros, o grupo
KWY. Um dos protagonistas da “nova figuração”
pictural, inicia em 1966 a criação de “modelos reduzidos”,
pequenas esculturas movidas por mecanismos eléctricos e electrónicos.
Quando deixa de os fazer, em 1973, regressa à pintura, aproveitando
os conhecimentos de electrónica entretanto adquiridos para começar
a fazer experiências "mozikais" para construir um sintetizador/sequenciador
digital programável a que deu o nome de Makina. Actualmente, está
a construir uma nova versão, com a recente tecnologia FPGA (circuitos
integrados programáveis). "África aqui foi
feita no verão de 1995 ou 1996. Lembro-me que estava muito calor
nesse dia e, como havia um batuque nessa peça, pensei que fazia
lembrar África, por isso o título. O som da cabrinha que
se ouve foi obtida não por sampler, que a Makina não tinha
ainda, mas pela transformação do som de um outro bicho,
proveniente de um circuito integrado especializado, ao qual eu alterara
a resistência."
CARLOS "ZÍNGARO" (1948)
#444-07, 1981
Sintetizador ARP 2601, sequenciador ARP
ZNGR-Nature Morte, Lisboa
Inédita
Inicia os seus estudos musicais em violino, dedicando-se mais tarde ao
órgão de igreja durante dois anos. Ainda em finais dos anos
sessenta inicia uma abordagem musical baseada na música contemporânea,
electrónica e no rock, com o grupo Plexus. Numa linguagem marcadamente
experimental, em que o aleatório é assumido como uma componente
essencial, Zíngaro tem vindo a colaborar com músicos como
Richard Teitelbaum e Derek Bailey, entre outros, bem como compondo para
teatro, cinema e dança. "Realizada em estúdio próprio,
e apenas uma parte gravada de horas e dias de experiências, #444-07
tem a ver com um fascínio pela exploração do
"instrumento", na continuação do que sempre mantive
com o violino. O Arp era, depois de anos de "concretismos" de
banda magnética e de tratamentos mais ou menos primários
do violino, o primeiro instrumento com uma linguagem específica
e semi-autónoma a que tinha acesso. Também de assinalar,
dada a tessitura específica e comparativamente limitada de um instrumento
como o violino, o deslumbre pelas alargadas possibilidades da síntese,
principalmente nas ressonâncias dos "velhos" VCFs..."
EMANUEL DIMAS DE MELO PIMENTA (1957)
Lisbon Revisited; 1986
Fita magnética, computador, sintetizadores de voz, filtros.
Lisboa
Pessoa, CD ASA Arts and Technology, 1999
Arquitecto, urbanista e compositor nascido em São Paulo, usa a
Realidade Virtual e as tecnologias digitais para desenvolver actividade
nessas áreas. Pesquisador de intermedia que montava e desmontava
relógios com quatro anos, trabalhou com John Cage entre 1986 e
o seu desaparecimento em 1992 e com Merce Cunningham até hoje.
Não costuma acreditar em fronteiras ou limites absolutos, acredita
que nunca ensinamos, apenas aprendemos, e que ética é estética.
"... em 1986, já tinha composto uma outra peça baseada
em Fernando Pessoa, Lisbon Revisited, criada a partir de sons
gerados pelas cordas vocais na leitura de um poema seu, datado de 1926.
Em Pessoa não há intenção, logo, é
uma música sem princípio, meio ou fim. É um convite
a uma audição sem preconceitos, sem tempo definido. Poema
falado, voz sintetizada, filtrada, mutação, e torna-se mar,
todas as vozes, não mais havendo interior ou exterior. John Cage
gostava particularmente dessa peça. Havia uma forte identidade
com um dos seus ensaios sobre Thoureau, feito à mesma época."
NO
NOISE REDUCTION (1990)
RLO II, 1995
Circuitos de feedback modulado com guitarra eléctrica e amplificadores
de brinquedo.
Rádio Litoral Oeste, Óbidos
On Air, CD Ananana, 1997
Desde 1990, Paulo Feliciano e Rafael Toral trabalharam neste projecto
em duo, englobando áreas da "Sound Art" a actividades
musicais duma natureza mais conceptual ou experimental. O projecto reflecte
sobre o aleatório, o conceito de ruído e a solução
de factores incontroláveis em tempo real, envolvendo os autores
em actividade espontânea, recorrendo frequentemente a práticas
de abuso tecnológico e experimentalismo radical. "On Air consistiu
numa série de concertos em estações de rádio,
em que os instrumentos eram circuitos electrónicos altamente instáveis
de brinquedos modificados. A imprevisibilidade destes, somada à
improvisação e à situação de emissão
em directo criaram uma situação musical extremamente "arriscada",
o que tornou a performance de On Air um processo muito vivo e
excitante. Foi mais tarde o ponto de partida para a instalação
mixed-media Toyzone, (uma peça com brinquedos modificados, circuitos
electrónicos, "relays", temporizadores e sensores múltiplos),
produzida para a exposição "Sonic Boom - the Art of
Sound", na Hayward Gallery em Londres, 2000. "
ANTÓNIO FERREIRA (1963)
O verão nasceu da paixão de 1921, 1988
Computador Atari, sintetizador Yamaha FB-01, fita magnética.
Estúdio do autor, Cascais
Música de Baixa Fidelidade, LP Ama Romanta, 1988; re CD
Plancton Music, 2002
Frequentou o curso de Engenharia Química que abandonou para, em
1986, ingressar em Sonologia no Conservatório Real de Haia, na
Holanda. Em finais dos anos 1980, inicia-se na composição
de música electroacústica e acusmática mediante processos
informáticos, desenvolvendo em paralelo actividade como consultor
de estudos de impacto ambiental no âmbito do ruído e bioacústica.
"Nesta peça eu pretendera aliar a interactividade em tempo
real permitida, naquele tempo, pelo computador Atari, com a riqueza possível,
mas estática, de uma banda magnética concebida em estúdio.
O computador corria um programa desenvolvido por Daniel Brandt, por mim
adaptado em FORTH, que permitia influenciar vários geradores de
código MIDI no que respeita ao tempo, ritmo, articulações
e escalas tonais e microtonais, por meio de comandos escritos no teclado.
De facto, acabei por ficar pela interactividade, que me pareceu mais interessante,
sendo a composição o resultado de uma espécie de
"jam session" de sintetizador e computador, à qual foram
acrescentados a introdução e alguns elementos pré-gravados
em fita."

Todas as obras são representadas por excertos editados por Rafael
Toral, excepto Alsee e Plasticman, incluídos
na íntegra. As obras de formações colectivas são
da autoria de, respectivamente: Telectu (Barreto, Rua), Anar Band (Barreto)
e No Noise Reduction (Toral, Feliciano). Os fragmentos "escondidos"
intitulados plb, xqa e xlb são da autoria
de Nuno Canavarro e são inéditos gravados nas sessões
de Plux Quba. Anamorphoses I é uma peça
para clarinete e fita magnética, sendo o presente excerto apenas
da fita magnética.
*
CEMAMU: Centre d’Études Mathematiques et Automatiques Musicales
SEV: Studio Électroacoustique de Vincennes – Université
Paris VIII
GRM: Groupe de Recherches Musicales
RDP: Rádio Difusão Portuguesa
IPEM: Instituut voor Psychoacustica en Elektronische Muziek
Projecto e pesquisa: Plancton Music
Direcção artística: Rafael Toral
Tratamento de áudio, montagem e masterização: Noise
Precision Mobile.
Design: Notype
Produzido por Rafael Toral
Plancton Music: info@planctonmusic.com
www.planctonmusic.com

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